8 de março de 2010

Olissipo

Vejo-te além mar e além rio, formosa e bem erguida naquele que é o maior vale da minha terrinha.
Teu cérebro mata, mas ata, um escárnio a um amor que em ti vagueiam soltos e deambulantes, naqueles que sem ti, o teu fado um fátuo seria. .
Olham-se e sussurram.
Amam-se e matam-se.
Tu que não és das mais linda, mas das mais formosas. Que nem com tanta colina, se mareiam aqueles que por ti passam, toda em si airosa por um leito marujado.

Quando acordo,
Acordo em ti, bem encostado ao teu pulmão.
Ouço-te viver bem antes de alvorecer.
E entoaste ainda que por debaixo do sol, que nem as nuvens te param.
É essa altivez que me encanta.
Ao ver te assim Lisboa,
Que mal não se espanta?

15 de fevereiro de 2010

Post Valentine's

Tanto para escrever
e tão pouco para dizer,
tanta saudade tanto rancor
de outros tempos, os que foram
em que pensava serem de um grande amor.

Desejei-te quando menos te tinha
e amo-te quanto mais te tenho,
não comandasse o sonho a vida
não seria a vida aquilo que fomos,
e não mais interessa o que digam
Eu, para sempre amar-te ia!

Enamoro-te com estas palavras
como que se de carícias fossem
frases, vírgulas e até parábolas!
Escrevem-se sozinhas e com razão,
é tudo amor e não ilusão.

8 de fevereiro de 2010

Selecção Natural

Seria a selecção natural de Darwin exclusiva à evolução das espécies?
Nego, e opino sobre tal.

Não deverá ser o amor um sentimento mútuo?
Tal como já dizia o matrimónio sob a cruz, 'Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?'
Quem ama não trai? Ou quem trai não ama? Uma coisa é certa quem realmente ama, é fiel, independente da ocasião.
'Tanto na saúde e na doença' por vezes ama-se mais na doença do que na saúde. Por vezes a dificuldade em demonstrar o sentimento amoroso é tímido. E é em situações perto de um fim que se desmorona o muro e se dá união entre o céu e o inferno e a explicação de tudo seja um misticismo que apenas os dois percebem e que mesmo às vezes nem a morte os separa.
Então para duas pessoas se amarem tanto, não será óbvio que tenham que gostar uma da outra? Se não, não seria problema para ninguém ter uma relação, pois bastava unir duas pessoas, não interessando o sexo, não interessando nada. E não é assim. Já em pequenos, e digo pequenos da altura do infantário e da primária, chegamos mesmo a ter quatro namoradas. Mas nunca é a rapariga ou de óculos ou porque é isolada ou até mesmo porque tem mais namorados. Já em pequenos começamos a construir o nosso padrão, a rapariga que melhor se identifica connosco. Mais tarde descobrimos que o bem interior vai tendo mais influência do que a aparência externa. Mas continuamos a escolher!
Eu não conheço ninguém que não escolha ou seleccione, ou que não prefira em relação a outro/a. Na nossa cultura essa é uma acção inócua. Já noutras culturas, mal se nasce tem-se logo um pretende para o resto da vida! Cá não é assim e não funciona assim.
Há quem diga, quem muito escolhe pouco acerta. Mas não se trata de escolher um parceiro/a que está exposto na montra, trata-se de encontrar alguém que se define com essa pessoa. Uma das maneiras de o fazer e se calhar a melhor, é namorar muito. Claro que à partida é indiferente, mas quando a relação termina, significa que escolhemos dizer não. Nestas circunstâncias começam a conhecer e a perceber o que querem de uma relação, e o significado que essa relação varia de pessoa para pessoa. E quando encontrarem esse alguém, amar vai ser a melhor coisa para os dois.

É tudo uma questão de tempo, afinal de contas é tudo uma selecção natural.

19 de janeiro de 2010

Olhares

Acordara cedo, sem saber muito bem o motivo.
Mas depressa saberia que seria por um bom motivo. Um encontro. Digamos que não é propriamente às oito da manhã a hora ideal para se encontrar com alguém, dai que também não fosse um encontro propositado, mas deixemo-nos iludir.
Para lá da porta duas raparigas desconhecidas. Como qualquer outra pessoa faria desejei um bom dia e elas retribuíram da mesma forma. Apesar de serem de faculdades diferentes deviam ser amigas, pelo menos entre elas gelo não havia.

Ao sentar-me à mesa com elas, o meu olhar focou-se especialmente na rapariga que estava mais longe. Aparentava possuir beleza, mas o que mais me impressionou foi o seu olhar.
Uma cor de olhos de um leve castanho aprimorado com um sopro de verde escuro, luzidio de cristal. Eram como um rio de águas cristalinas cujo leito era todo ele de um aprazível âmbar.
Um olhar que sorria por ele próprio e propagava alegria e felicidade a quem o focasse. Um olhar que me fez ganhar o dia.

Do último olhar é tudo o que me recordo.
Talvez da próxima consiga mais que um simples olhar.

18 de janeiro de 2010

Ilusão

Sinto me só
mas acompanhado,
querer amar e
não ser amado.

Mas há quem me queira amar
alguém que só me quer bem,
se ao menos soubesse um nome
ou até um simples olhar.

Alguém que por me querer bem
permanece na omissão.
Pois bem ...
Se tudo isto é amor
nada disto é ilusão.