16 de janeiro de 2010

Nostalgia

Nostalgia ...
... aquele momento ...
... aquele instante ...
que agora ressinto e pressinto
mas que não vejo, nem sinto.
Cá dentro, uma mística sensação
que me faz sentir bem,
sentir alguém.

Nostálgico, a lembrança de velhos tempos,
de bons velhos tempos em que união parecia perfeita, uma harmonia singela, arguta e cortante, tão cortante que acabou mesmo por cortar laços e fitas de uma coalescência que parecia amorosa, que parecia inquebrável.

Agora que o encanto persiste e resiste, e que cuja magia se virou contra o feiticeiro, fez dele quem ele hoje é.
Aprendeu a amar-se, pois não há amor mais verdadeiro do que amar-se a ele próprio.

7 de janeiro de 2010

Esboços sobre o Amor

Haverá amor mais verdadeiro, do que uma simples amizade?
Ou será a amizade a pólvora do amor?

Um enredo de elogios,
Uma panóplia de sentimentos,
Um palco uma vida,
Uma peça um amor.

Quem assiste ridiculariza.
Quem o representa
não só o ensina,
como se perde
no seu papel,
na sua vida,
no seu amor.

Haverá melhor mundo do que este?
Haverá melhor sistema, em que a moeda de troca são palavras, actos, e loucuras, como um único resultado a harmonia entre dois?
Haverá melhor castigo, do que a dor?
A dor, irmã gémea da alegria, em que apenas o seu feitio é diferente.
Haverá melhor coisa que o amor?

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É algo bom,
algo bonito.
Mas é pesado,
quando só um o carrega
chega mesmo a ser insuportável
agonizante.
Partilhado é maravilhado!

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Chamou-lhe bonita, vezes sem conta.
Quando a deixa de a ver, chama-lhe qualquer outra coisa.
Foi amor ou foi paixão?
A meu ver, amor seria, se lhe dissesse:
Foste bonita,
És bonita,
e se contigo não ficar
bonita serás!
Porque a beleza é intemporal
mas não é impessoal.

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Andavam de mãos dadas,
mas o que era dado era o amor
ao invés do ...
outro partilhado,
outro sincero,
outro fiel,
o outro verdadeiro amor!

21 de dezembro de 2009

Pensamento

Penso e repenso
Porque é coisa bonita,
é bonita de se pensar.

Nostálgico...
Talvez!

Passo a mão sob a marca,
Relembra-me sons, palavras, sabores,
E que bons que foram
Apenas por me poder lembrar
não sentir, nem tocar
como se nada fosse
uma marca de dor.

Há coisas que nos marcam.
E por maior que seja a marca
é consequência de bem estar.
Se ao contrário fosse
então nada seria.
Pois felizes queremos
e felizes seremos!
Felizes pela dor.

17 de dezembro de 2009

Sorriso

Saía do Metro;
Meus olhos outros cruzaram,
Sem saber como era o piso,
Ao andar contactávamos.

Parecia cena de filme,
Toda ela brilhava,
Faltava a música de fundo,
Mas nem isso me perturbava .

Para ela olhava
Tudo o resto não interessava.
Fora tão intenso,
Fora tão fugaz,
Que ainda agora me penso,
O que pensara?

Por ela passei ...
Mas nem a abracei,
Apenas sorri.

E ela, Que fizera por mim?

8 de dezembro de 2009

Fatum

Não sei. Não sabe ninguém. Porque é o fruto proibido o mais apetecido.
Assim como não basta dizer que o fogo queima, há que senti-lo, como todas as outras situações duvidosas ou desconhecidas. Há que senti-las para não ter medo.
Mas nem tudo se pode sentir, para depois relatar como foi. A morte será uma experiência única. Mesmo que alguém pudesse senti-la, não o conseguiria fazer. Depois de morto, morto será e nada sentirá.
Mas qual o pior medo? A morte não o é, nunca saberemos. E se o pior medo for, o medo de sofrer. Sofrer por doença, por parvoíce ou mesmo por amor. Não interessa. A dor não interessa a ninguém.
Viveremos assim, com medo, numa corda bamba que ao mínimo descuido, desatenção ou desequilíbrio se transforma em dor, sofrimento ou até mesmo agonia.
Aproveitar esta vida fugaz e infiel, que ás vezes nos decide pregar uma partida e que por medo ficamos infelizes com receio do pior, é um desafio mas ao mesmo tempo uma benção.

Nunca recear o pior, pois é tudo uma estória em que cada um de nós é o escritor