16 de setembro de 2011

Fremiu


Penso em ver-te quando não te tenho, ter-te, ignorar-te quando te vejo.
Não digo ou finjo e escondo dentro de mim, nem com musicas ou filmes, ate palavras e frases que são as mais difíceis! Mas são assim tão banais?


Muito mais não posso fazer, e é melhor não. Senão, que viria depois? 
Estranho para mim não seria, para ti talvez. 
A mim uma simples demonstração de amor, a ti mais um amor por demonstrar.

Quanto mais pensas nela, pior ...

Esta coisa tão subjectiva e imaterial, que tanto dá hoje, como amanhã desaparece, ah paixão, és fácil de controlar, mas a outra que se faz e constrói e que fica e perdura, amor, é muito difícil de explicar. 
Eu cá lhe sinto.
 E não é mau de todo mas é doloroso, ou estranho ou impensável. 
Não sei, sei que não o sinto porque o digo, e porque não o faço.

Talvez um dia goze, talvez um dia acorde contigo. E espero sim um dia, acordar de tudo!

15 de setembro de 2011

Segredo

Segredo-me sem saber,
porque o que sinto
é estranho de descrever.

Não sei se avance
em dizer, com medo e tanto
prefiro não fazer.

Procrastinar e continuar
a guardar, talvez entenda que sim,
só assim, não me vá magoar.

30 de agosto de 2011

Desabafo III

Irrisório, o pensamento que me acende os olhos e alerta a mente de um espaço vazio de felicidade, que teima em não existir ou, viver sem razão, na rotina desenfreadamente desmedida dos outros que aqui deambulam. Porque só alguém sabe e ninguém percebe isto que digo, que é ou que devesse ser uma procura incessante sem medos nem tabus. Uma simples busca, uma conversa ou estilo de um modo de estar de um modo de viver.

19 de julho de 2011

Desabafo II

Inconsistência em manter viva a chama que não pensa mas reflecte, a sombra que é uma ilusão meramente utópica. A utopia de continuar a crer em algo que teima em não existir, crer aquela minha alma espelhada nas águas de um rio eufórico em que apenas pequenos traços se notam, mas não a imagem na sua totalidade.
Parar para voltar, e continuar para voltar porque acabo por parar, não me parece a solução. Deixo-me ir, e espero que esse tanto vento traga aquela minha alma tão apetecida. Aquela minha amada tão querida.

21 de junho de 2011

Libri (parte II)

Aqui é sempre dia e noite. O Sol e a Lua encontram-se na mesma paisagem, ainda que distantes um do outro, são céu e inferno, são o não e o sim, são opostos e contrários. Este é um mundo onde o tempo parece não andar. Onde a noite e o dia se confundem.
Cada vez que olho para o relógio, as horas correm numa azáfama indeterminada contra o tempo. Fico confuso. Como devo associar a intemporalidade dos dias e das noites, com a apressada e nervosa corrida dos ponteiros. Quero pensar, mas se paro pensar só logo empurrado pelo vento. Só me resta, então, pensar nas passadas de alguém, pensar como alguém pensou. Não pensar, porque por aqui tão pouco alguém pensou.
Não é fácil. Pensar neste assunto e andar ao mesmo tempo. É como remar contra um rio, que sobe montanha acima, desde o oceano mais profundo. Não me deixam questionar porque apenas interessam as horas e não interessam os dias e as noites.
A caminhada continua. E a sombra lá vai, mesmo à minha frente. A certa altura, sem saber bem quando, a mente começa a mexer-se. Diz-me para olhar para a esquerda, e a passada diminui. As poros dilatam e o suor começa a escorrer. Como se sentisse pela a primeira vez água no corpo. Um misto de arrepios, confusão e calafrios. É o que sou, pois à minha esquerda está um trilho. Um caminho por estrear. Uma porta por abrir. À medida que ando, a inquietação sente-se, mais e mais. A sombra, essa de nada desconfia, enquanto andar ela está, como que, adormecida. Dou por mim no final da intersecção. Cabe-me a mim decidir, o que fazer. Mais passo menos passo, o tempo inalterado e as horas cada vez mais desreguladas, começo a pensar. E dou por mim parado. À esquerda, o trilho, pela frente a sombra, no pulso, o relógio e atrás, o vento, que se começa a fazer sentir.
Penso. A mente incentiva, e o vento contesta soprando cada vez mais forte. O tempo, que não passa, corre pelo o relógio. E eu, penso. A certa altura, a mente toma controlo e por meio de espasmos e sei lá que mais, atiram-me para o trilho. Caio estatelado. Dou por mim, espalmado no chão.
Ergo-me, e dou um passo. Dou outro passo. Sinto controlar os meus passos. Estranheza. Olho para trás e no chão tudo em branco. Os meus únicos dois passos, apagados. Olho para o caminho, e lá estava a sombra, acenando. Ignoro. O relógio, esse está parado. E no céu o Sol e a Lua ganham vida trocando de posição, fazendo assim o dia e a noite. O tempo começa a passar. O vento desaparecera, e tornara-se numa leve e purificadora brisa. A mente gostava desta brisa, trazia ideias novas, e sentia-se mais jovem. Eu sentia-me, eu, e mais a brisa fizemo-nos à vida.