30 de maio de 2011

Desabafo

Pensar no acto, praticar o pensamento, escutar os lábios, ouvir o movimento, oscular-te porque sim e beijar-te porque não.
Mato o tempo com a minha mente, colmato-te no meu pensamento, e vivo eternamente.

Espero um dia voltar a sonhar e sonho por um momento voltar a esperar, por ti ter-te e te abraçar, para que eu deixe para sempre de chorar.


28 de novembro de 2010

Wish you

Deito-me num sorriso e adormeço com a esperança
Esperança de te conseguir encontrar,
Encontrar-te na minha mente, esse sério desejo
Desejar-te ter como real
Realidade essa que não vejo.

Por isso anseio adormecer
Encontrar-te e rever-te
Por este meu labirinto de pensamentos
Com quem luto, e resisto
para que não te desvaneças
nesta minha mente.

E acordo, triste
mesmo tendo estado contigo
Indo o dia ainda virgem
não sei se voltaras as estar comigo


26 de novembro de 2010

Minha Capital

Melancólica, acolhedora, barulhenta. Mas sempre alegre. Quatro estilos por ano, quatro vezes que se transforma e se torna diferente e única.

Mas é no Outono quando mais gosto dela. É no Outono que se despe, é no Outono que se deixa penetrar e nela admirar o seu esplendor.

Cada traço cada retrato, vejo, cada gota e cada riacho com um detalhe loucamente apaixonante. Luzes e reflexos enevoados pelo seu odor. Cheiros e sabores caracterizados pelo seu esplendor.

Passeio por ela, corro por ela e saio com ela. De dia muito ocupada, só pensa em produzir, mas quando a noite cai, produz-se em si, cuida de si e toda ela passa a brilhar e a cintilar. Toda ela se deixa vangloriar.

Mas não é obra da Natureza e muito menos obra divina. É obra minha, é obra nossa, é obra humana.
Não há rapariga como tu, Lisboa veneziana.

28 de setembro de 2010

Invictus

Após alguma ausência, digo, o mundo permanece redondo.

Acredito e logo me arrependo.
Querer gostar de algo, e não puder tê-lo.
Não é fácil de compreender,
pois tão pouco eu entendo;
Talvez amanha acorde diferente, talvez me torne mais resistente.
E espero, voltar a ser aquele que ninguém conhece,
pois é esse quem mais me favorece.
E espero voltar a ver o sol raiar;
Sem lágrimas nos olhos,
para que me possa lembrar:
Que afinal,
Sou eu quem mais me quero,
Concretizar!

1 de setembro de 2010

Utopia

Sentado na mesa do bar, ouve o som de fundo da imensidão de estudantes na fila à espera do habitual lanche, sem o incomodar lê e-mails e passeia pelo facebook. O telemóvel toca, um tal número desconhecido, efectua o tal compasso de espera, pigarrea e atende.
"... Bom dia .... Sim é o próprio ... Ah, sim diga diga ..."
Enquanto discutia uma marcação para visitar um ginásio, do nada uma rapariga senta-se na cadeira em frente. Uma rapariga aparentemente vulgar, cabelos ondulados pelos ombros, olhos castanhos e um sinal na bochecha esquerda. Um rapariga invulgarmente linda. Sorriu-lhe. Pegou na caneta que ele sob a mesa, pegou num guardanapo e escreveu, "Olá". Pasmado continuou a conversa e acenou com os dedos "dois minutos".
"... sim sim ainda aqui estou ... então dê-me o número para o qual eu devo fazer a marcação ... 21 ... 763"
E enquanto ditava os números, fez um gesto pelos olhos para que a rapariga anota-se o número.
"217634456, obrigado e boa tarde."
Desligou, pousou o telemóvel e reparou que do outro lado do bar estavam duas raparigas muito atentas ao episódio. "Que raio se passa aqui, será alguma partida, nem sei que faça", pensou.
- Olá
- Agora sim, olá.
- Estou a ver que estás muito ocupado ...
- Tem dias, mas agora deixei de estar. Desculpa mas posso te ajudar, querias alguma coisa?
- Sim só queria alguém com quem conversar. Estás disponivel?
(Parou e pensou duas vezes antes de abrir a boca)
- Tens planos para o jantar? - rematou o rapaz,
- Nem por isso.
- É que eu preciso de alguém que me faça companhia, aceitas?
- Jantar onde?
- Onde te der mais jeito, anda dai, conversamos pelo caminho.

Fechou o portátil como se de um laboratório tratasse, arrumou tudo em três tempos. Levantaram-se e saíram. Enquanto saia lembrou-se do guardanapo, ao voltar para a rapariga olhou para a mesa das outras, e uma delas piscou-lhe o olho, como se tivesse ganho a aposta.