26 de novembro de 2010

Minha Capital

Melancólica, acolhedora, barulhenta. Mas sempre alegre. Quatro estilos por ano, quatro vezes que se transforma e se torna diferente e única.

Mas é no Outono quando mais gosto dela. É no Outono que se despe, é no Outono que se deixa penetrar e nela admirar o seu esplendor.

Cada traço cada retrato, vejo, cada gota e cada riacho com um detalhe loucamente apaixonante. Luzes e reflexos enevoados pelo seu odor. Cheiros e sabores caracterizados pelo seu esplendor.

Passeio por ela, corro por ela e saio com ela. De dia muito ocupada, só pensa em produzir, mas quando a noite cai, produz-se em si, cuida de si e toda ela passa a brilhar e a cintilar. Toda ela se deixa vangloriar.

Mas não é obra da Natureza e muito menos obra divina. É obra minha, é obra nossa, é obra humana.
Não há rapariga como tu, Lisboa veneziana.

28 de setembro de 2010

Invictus

Após alguma ausência, digo, o mundo permanece redondo.

Acredito e logo me arrependo.
Querer gostar de algo, e não puder tê-lo.
Não é fácil de compreender,
pois tão pouco eu entendo;
Talvez amanha acorde diferente, talvez me torne mais resistente.
E espero, voltar a ser aquele que ninguém conhece,
pois é esse quem mais me favorece.
E espero voltar a ver o sol raiar;
Sem lágrimas nos olhos,
para que me possa lembrar:
Que afinal,
Sou eu quem mais me quero,
Concretizar!

1 de setembro de 2010

Utopia

Sentado na mesa do bar, ouve o som de fundo da imensidão de estudantes na fila à espera do habitual lanche, sem o incomodar lê e-mails e passeia pelo facebook. O telemóvel toca, um tal número desconhecido, efectua o tal compasso de espera, pigarrea e atende.
"... Bom dia .... Sim é o próprio ... Ah, sim diga diga ..."
Enquanto discutia uma marcação para visitar um ginásio, do nada uma rapariga senta-se na cadeira em frente. Uma rapariga aparentemente vulgar, cabelos ondulados pelos ombros, olhos castanhos e um sinal na bochecha esquerda. Um rapariga invulgarmente linda. Sorriu-lhe. Pegou na caneta que ele sob a mesa, pegou num guardanapo e escreveu, "Olá". Pasmado continuou a conversa e acenou com os dedos "dois minutos".
"... sim sim ainda aqui estou ... então dê-me o número para o qual eu devo fazer a marcação ... 21 ... 763"
E enquanto ditava os números, fez um gesto pelos olhos para que a rapariga anota-se o número.
"217634456, obrigado e boa tarde."
Desligou, pousou o telemóvel e reparou que do outro lado do bar estavam duas raparigas muito atentas ao episódio. "Que raio se passa aqui, será alguma partida, nem sei que faça", pensou.
- Olá
- Agora sim, olá.
- Estou a ver que estás muito ocupado ...
- Tem dias, mas agora deixei de estar. Desculpa mas posso te ajudar, querias alguma coisa?
- Sim só queria alguém com quem conversar. Estás disponivel?
(Parou e pensou duas vezes antes de abrir a boca)
- Tens planos para o jantar? - rematou o rapaz,
- Nem por isso.
- É que eu preciso de alguém que me faça companhia, aceitas?
- Jantar onde?
- Onde te der mais jeito, anda dai, conversamos pelo caminho.

Fechou o portátil como se de um laboratório tratasse, arrumou tudo em três tempos. Levantaram-se e saíram. Enquanto saia lembrou-se do guardanapo, ao voltar para a rapariga olhou para a mesa das outras, e uma delas piscou-lhe o olho, como se tivesse ganho a aposta.

21 de março de 2010

Amore

Gostava de te ter,
Poder abraçar-te, sentir-te e
dar te arrepios, saber
que sim, que gostas da presença
de mim, de mais outra pessoa
que gosta de ti.

Vejo-te ao longe, e consigo sentir
o teu perfume, quando apenas
se vê tamanha beleza,
que irradia por si só sem que
algo se intrometa, entre
o meu olhar e a tua aparência.

Só de te ver fico contente,
não feliz, mas contente por saber
que por ai, ainda andam
raparigas, raparigas
merecidas de amor que
não se sabe já transmitir.

Raparigas de outrora
descritas por platónicos
que nos fazem deliciar
e sentir como eram,
amores platónicos,
utópicos e surreais,
um amor real.

Amor que por ser amor, mata e faz viver.
Destrói e constrói.
Nasce e faz renascer quem nunca o viu.

14 de março de 2010

A ti

Quanto tempo já passou e que a minha mente não se esqueceu, daquele momento tão bizarro que não o quero perder.
Lembro-me de te ver, mas não saber o que querer e
por isso corri rua abaixo com pânico de me reconheceres.
Ainda hoje penso na errada iniciativa que tomei,
talvez hoje ainda te tivesse, a lado meu e com corpo teu com almas partilhadas.
Mas desses tempos apenas sei o teu nome e a cor dos teus cabelos,
eras uma loira Inês aquela que me fez querer entrar todos os dias no ATL e nunca mais de lá sair.
Ainda hoje quando lá passo, ouço as vozes e vejo as correrias. Quem me dera puder ver mais, e lembrar-me dela mas nem tudo são alegrias.

Hoje gostava de te ver, e ver como reagirias, ver se também, o sentirias.